06/03/2025
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Leitura: 11 min

CVM 175 e seu impacto no mercado brasileiro de FIDCs

A Resolução CVM 175, publicada em 2022, trouxe mudanças fundamentais para o mercado de Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) no Brasil.

Essa norma tem foco em modernizar a estrutura dos fundos e, assim, elevar padrões de governança, promover maior transparência e avançar na proteção aos investidores. 

Sem contar que a Resolução CVM 175 reforça a necessidade de uma gestão de investimentos mais eficiente, alinhada às melhores práticas internacionais. 

É hora de entender como essa nova regra impacta o mercado financeiro e as operações dos FIDCs. Vamos conferir agora mesmo os principais pontos da mudança e os caminhos para adequação.

O que é a CVM 175 e por que ela foi criada?

A CVM 175 é um marco regulatório que redefine o funcionamento dos fundos de investimento no Brasil.

Publicada em dezembro de 2022 pela Comissão de Valores Mobiliários, a resolução consolida e moderniza as normas que regem diversos tipos de fundos, para unificar diretrizes e eliminar redundâncias que existiam em legislações anteriores.

O principal propósito dessa iniciativa é adequar o mercado às demandas de maior eficiência e transparência, características cada vez mais exigidas por investidores e órgãos regulatórios. 

Assim, a CVM 175 busca oferecer um ambiente mais seguro para a gestão de investimentos, acompanhando as transformações do setor e promovendo um alinhamento com padrões globais de governança e compliance.

Como a CVM 175 afeta os FIDCs?

Os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios são conhecidos pela função estratégica de securitizar recebíveis e impulsionar crédito no Brasil — e são fortemente influenciados pela nova regulamentação. 

As mudanças impostas pela CVM 175 impactam diretamente aspectos-chave como governança, estruturação de cotas, transparência e gestão de riscos. 

Vamos entender melhor, a seguir!

Novos requisitos de governança

A CVM 175 estabelece novos parâmetros para garantir que a governança dos FIDCs seja mais clara e robusta.

Administradores e gestores precisam implementar políticas concretas para mitigação de riscos e supervisão das operações. 

Essas diretrizes vão além de garantir conformidade regulatória, pois exigem que os responsáveis pelo fundo estejam preparados para identificar problemas rapidamente e agir de forma preventiva.

Transparência e prestação de contas

A transparência ganha um protagonismo inédito nas exigências da resolução. Os administradores agora precisam apresentar informações detalhadas em relatórios periódicos que incluam aspectos como:

  • composição de ativos;
  • riscos associados à carteira;
  • critérios utilizados na tomada de decisões. 

O objetivo aqui é melhorar a comunicação entre gestores e investidores, o que reduz ou até mesmo elimina lacunas na divulgação de dados.

Mudanças na estrutura de cotas e classes

A reformulação na estrutura de cotas é outra inovação trazida pela CVM 175. A norma introduz regras que estabelecem mais clareza na diferenciação entre classes de cotas, o que evita conflitos de interesse

Investidores passam a ter maior previsibilidade sobre os resultados e riscos associados a cada categoria, o que contribui para um ambiente de maior confiança entre as partes envolvidas.

Regras para captação e gestão de riscos

A captação de recursos e o gerenciamento de riscos são amplamente beneficiados pelo novo marco regulatório, já que a normativa exige:

  • a aplicação de métodos mais criteriosos de seleção de ativos;
  • maior rigor na análise de crédito dos recebíveis securitizados. 

Essas medidas reduzem a exposição do fundo a situações inesperadas e tornam os processos mais consistentes.

Quais são os desafios da adaptação à CVM 175?

A introdução da CVM 175 traz um novo cenário que requer muita atenção e um esforço coordenado das instituições envolvidas no mercado de Fundos de Investimentos em Direitos Creditórios (FIDCs). 

A complexidade regulatória e operacional aumenta de forma relevante, o que vai exigir que as empresas enfrentem desafios técnicos e organizacionais para alcançar a conformidade regulatória e explorar as oportunidades de melhoria no setor.

Vamos conferir, a seguir, alguns desses desafios!

Readequação dos regulamentos internos

A adaptação à CVM 175 começa pela revisão exaustiva dos regulamentos que governam os FIDCs.

As equipes devem garantir que todas as políticas de investimento, cláusulas contratuais e estruturas de governança sejam atualizadas conforme os parâmetros regulatórios recém-estabelecidos. 

Essa tarefa, porém, não se limita ao cumprimento legal. O redesenho normativo deve ser também um exercício estratégico para permitir que gestores alinhem suas operações aos novos padrões enquanto expandem sua capacidade de atrair investidores.

Regulamentações mais claras, estruturadas e transparentes servem como um pilar importante para aumentar a confiabilidade do mercado.

Embora trabalhoso, esse processo de ajuste apresenta um benefício adicional: proporciona uma oportunidade singular de revisar processos, identificar ineficiências e reforçar controles internos

Necessidade de compliance mais rigoroso

Uma postura de compliance eficiente é indispensável para atender às exigências da CVM 175.

Com a necessidade de monitoramento contínuo e identificação de potenciais não conformidades, a adaptação ao novo cenário regulatório requer estabelecimentos de fluxos internos monitoráveis e integrados. 

Empresas que não priorizarem essa evolução se expõem a possíveis sanções administrativas e, ainda, colocam em risco sua reputação perante investidores atuais e potenciais.

A norma exige reportes regulares e detalhados, além de um monitoramento ativo das operações financeiras e das decisões de gestão do fundo

Isso reforça a importância de equipes treinadas e sistemas automatizados para garantir que as políticas do fundo operem dentro dos limites impostos pela resolução. 

Soluções de compliance mais modernas, que utilizam aprendizado de máquina e inteligência artificial, podem desempenhar um papel de destaque nesse avanço, viabilizando análises preditivas e aumentando a eficiência operacional.

Adoção de novas tecnologias para monitoramento

Ferramentas tecnológicas amplificam a capacidade dos gestores em lidar com a crescente complexidade de monitoramento imposta pela CVM 175. 

Automação de processos, plataformas integradas e sistemas que consolidem e processem informações em tempo real são cada vez mais indispensáveis. Essas soluções apoiam o atendimento às exigências de relatórios financeiros detalhados e indicadores de risco.

Além disso, o uso de tecnologias avançadas como blockchain para garantir maior transparência e segurança no rastreamento dos dados apresenta enorme potencial para transformar os processos do setor. 

A inovação tecnológica não apenas simplifica a operação dos fundos, mas também contribui para a construção de uma confiança mais sólida junto aos investidores.

Gestão de dados e aumento da transparência

A administração eficiente de dados é um dos componentes decisivos na adaptação à resolução.

Relatórios mais detalhados e exigências frequentes de prestação de contas demandam que empresas reorganizem sua abordagem à gestão de informações, implementando sistemas centralizados e auditáveis. 

A CVM 175 exige, na prática, que os gestores invistam na criação de ambientes de dados mais seguros e acessíveis, permitindo uma visão holística e em tempo real do desempenho dos fundos.

E quando bem estruturada, essa gestão de informações não só atende aos requisitos legais, mas também otimiza processos decisórios internos

Um sistema centralizado de dados permite insights mais estratégicos e fundamentados, o que resulta em melhores tomadas de decisão e na garantia de maior alinhamento com as expectativas de participantes do mercado. 

Quais oportunidades a CVM 175 traz para os FIDCs?

Embora os desafios da adequação sejam claros, a CVM 175 também oferece diversas oportunidades para gestores que enxergam o potencial de crescimento e fortalecimento no cumprimento das novas exigências. 

Essas oportunidades representam avanços estratégicos potenciais para os FIDCs e seus gestores ao proporcionar um ambiente mais elaborado, seguro e atrativo para participantes do mercado. Vamos entender melhor nos tópicos a seguir!

Atração de novos investidores

A transparência regulamentada pela CVM 175 melhora a experiência dos investidores ao estabelecer práticas mais confiáveis e acessíveis.

Ao facilitar o acesso a informações claras e padronizadas, o regulamento cria um ambiente mais seguro e, consequentemente, atrativo para novos participantes. 

Com um mercado mais bem estruturado, é possível ampliar a base de cotistas interessados em ativos securitizados, alcançando também perfis de investidores que antes poderiam ter receio de ingressar nesse segmento. 

Investidores institucionais, em especial, tendem a valorizar a segurança proporcionada por um ambiente regulatório bem definido, o que pode provocar um aumento consistente na captação de recursos para os FIDCs.

Fortalecimento da credibilidade do mercado

As mudanças instituídas pela CVM 175 não se limitam à conformidade: elas elevam o setor a um novo patamar de profissionalismo e confiança.

Ao padronizar práticas e garantir maior clareza nas informações, os FIDCs ganham relevância e reconhecimento tanto no mercado doméstico quanto no internacional. 

Essa credibilidade ampliada gera maior potencial de atração para investidores estrangeiros e instituições financeiras globais, que valorizam mercados com regras claras e consolidadas. 

Esse contexto também abre espaço para parcerias estratégicas e negócios maiores, o que favorece a posição dos gestores que se adaptam prontamente às novas normas.

Redução de riscos operacionais e jurídicos

A adesão às normas da CVM 175 promove um ambiente de maior controle e organização, reduzindo as chances de erros administrativos e irregularidades que possam causar prejuízos financeiros ou jurídicos. 

Com a adoção de práticas mais transparentes e documentação aprimorada, gestores e administradores encontram mais respaldo para evitar litígios e inconsistências regulatórias. 

Em um contexto de monitoramento mais atento, cada aspecto operacional se torna mais previsível — e isso reduz custos relacionados à mitigação de riscos e permite que os fundos sejam geridos de maneira ainda mais eficiente.

Expansão do mercado de securitização

Com a modernização no marco regulatório, o mercado de securitização apresenta um grande potencial de crescimento e diversificação de estratégias. 

As novas regras incentivam a entrada de players mais especializados e promovem inovações na criação de instrumentos financeiros que capturam necessidades mais específicas de investidores e emissores. 

Essa modernização também favorece o desenvolvimento de soluções tecnológicas e operacionais para potencializar a gestão de ativos securitizados, viabilizando estratégias mais complexas e de maior retorno. 

A expansão do mercado de securitização atrai novos investidores e ainda permite que os FIDCs se posicionem como protagonistas na digitalização e na inovação do setor financeiro.

Ao integrar as normas da CVM 175 de maneira estratégica, gestores dos FIDCs têm uma oportunidade única de se ajustarem às exigências regulatórias e de impulsionarem seus fundos a patamares mais elevados de competitividade e relevância no mercado financeiro.

Como as empresas podem se adequar à CVM 175?

A adaptação à CVM 175 requer soluções estratégicas e investimentos em tecnologia que assegurem a conformidade das operações e proporcionem um diferencial competitivo em um mercado cada vez mais regulado e dinâmico. 

Dessa maneira, é essencial combinar revisão de práticas internas, adoção de soluções tecnológicas e monitoramento contínuo de regulações para uma abordagem completa e integrada.

Revisão e atualização de políticas internas

Este é o momento para revisar com atenção as políticas operacionais e de governança corporativa.

A adequação à CVM 175 exige que as regras internas de conduta e os pilares estratégicos da empresa sejam reformulados para refletir completamente os parâmetros exigidos pela nova norma. 

Além disso, a função do compliance interno deve ser fortalecida e funcionar como um guia direto para as mudanças necessárias.

Empresas bem preparadas ajustarão também suas operações de forma proativa, antecipando a adaptação de processos relacionados à gestão e à administração de fundos.

Outros pontos fundamentais incluem a renovação de treinamentos internos para equipes-chave e o reforço à transparência nas decisões administrativas, para garantir que as mudanças sejam efetivamente incorporadas pela organização em todos os níveis.

Implementação de soluções para compliance regulatório

Para empresas que administram FIDCs, a implementação de ferramentas digitais orientadas ao compliance regulatório é essencial. 

Soluções que combinam escalabilidade, flexibilidade e integração contínua com sistemas preexistentes são particularmente estratégicas e permitem ajustes rápidos e precisos aos requisitos mais específicos da CVM 175.

Além de garantir o alinhamento com as demandas do regulador, essas ferramentas entregam maior controle operacional, o que reduz falhas humanas e riscos decorrentes de processos manuais. 

As soluções mais completas incluem funcionalidades de monitoramento e auditoria em tempo real, o que permite atender às obrigações normativas e aumentar a confiança e a eficiência nas operações.

E aqui, parcerias tecnológicas confiáveis, como as oferecidas por empresas especialistas no setor financeiro, desempenham um papel decisivo.

Monitoramento contínuo das normas e requisitos

A administração de fundos sob a nova norma exige um foco maior em monitoramento regulatório contínuo — e não apenas em ações pontuais de adequação. Isso implica a criação de rotinas específicas para revisão constante de documentos internos, reportes frequentes e auditorias regulares. 

Equipes dedicadas ao compliance precisam operar com base em sistemas de monitoramento automatizados, que fornecem notificações e atualizações em tempo real sobre alterações na regulação.

E vale lembrar que o investimento em tecnologias como inteligência artificial e análise preditiva pode facilitar a identificação precoce de inconsistências ou riscos de não conformidade e auxiliar na tomada de decisões informadas. 

A utilização de relatórios detalhados e dashboards personalizados é outra prática que agrega valor ao processo e permite que gestores acompanhem a performance regulatória de forma mais acertada e estratégica.

Otimize a gestão de FIDCs com tecnologia!

É evidente que a CVM 175 trouxe avanços importantes para o setor de FIDCs, mas a adequação às suas exigências pode parecer complexa sem as ferramentas certas. 

Neste contexto, a solução da Dimensa auxilia gestores na modernização da administração de fundos, promovendo conformidade regulatória e eficiência operacional por meio de uma plataforma robusta e ágil.

Com funcionalidades focadas na automação de processos e no monitoramento de riscos, a tecnologia da Dimensa permite centralizar informações e otimizar a gestão dos ativos. E se a CVM 175 trouxe desafios, ela também se tornou um ponto de partida estratégico para quem deseja liderar o mercado de securitização.

Quer conhecer uma maneira prática e eficiente de adaptar seus FIDCs às exigências regulatórias? Conheça agora mesmo a solução da Dimensa para a administração de FIDCs e outros fundos de investimentos.

Em resumo

O que é a CVM 175 e por que ela foi criada?

A CVM 175 é um marco regulatório que redefine o funcionamento dos fundos de investimento no Brasil. Publicada em dezembro de 2022 pela Comissão de Valores Mobiliários, a resolução consolida e moderniza as normas que regem diversos tipos de fundos, para unificar diretrizes e eliminar redundâncias que existiam em legislações anteriores.

Quais são os desafios da adaptação à CVM 175?

Entre os principais desafios estão:

  • a readequação dos regulamentos internos;
  • a necessidade de compliance mais rigoroso;
  • a adoção de novas tecnologias para monitoramento;
  • a gestão de dados e o aumento da transparência.

Como as empresas podem se adequar à CVM 175?

As empresas podem se adequar à CVM 175 por meio de:

  • revisão e atualização de políticas internas;
  • implementação de soluções de compliance regulatório;
  • monitoramento contínuo das normas e requisitos.

Créditos da imagem: Freepik

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