05/02/2026
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Leitura: 8 min

Conheça os principais indicadores ESG

Os indicadores ESG entraram de vez na rotina de quem precisa tomar decisão baseada em dados.

Em algum momento, toda empresa que fala de sustentabilidade, impacto social e governança chega ao mesmo impasse: como mostrar, de forma objetiva, que esses temas realmente influenciam prioridades, investimentos e escolhas difíceis?

A cobrança por esse tipo de evidência já não vem de um único lugar:

  • investidores pedem critérios comparáveis;
  • reguladores pedem rastreabilidade;
  • clientes observam cada vez mais a coerência entre discurso e prática.

Continue nesta leitura para entender o que são os indicadores ESG, quais são os principais grupos acompanhados pelo mercado e o que cada um deles ajuda a revelar sobre a maturidade de uma empresa.

O que são indicadores ESG?

Indicadores ESG são métricas usadas para acompanhar, de forma objetiva, como uma empresa se comporta nas dimensões ambiental, social e de governança.

Eles transformam temas amplos — como impacto ambiental, relações de trabalho e integridade na gestão — em dados que podem ser medidos, comparados e acompanhados ao longo do tempo.

Esses indicadores ajudam a empresa a enxergar:

  • onde estão os pontos de tensão;
  • o que vem melhorando;
  • onde o discurso ainda não se sustenta nos processos.

Quando passam a fazer parte da rotina, começam a pesar de verdade nas escolhas de investimento e nas prioridades de gestão.

Não existe um conjunto único que sirva para todas as organizações. O que faz sentido medir depende do setor, do porte, da exposição regulatória e da cadeia de valor.

Uma indústria intensiva em recursos naturais tende a concentrar mais atenção no ambiental. Empresas de serviços costumam olhar mais de perto para pessoas, processos e governança.

Também vale lembrar que esses indicadores mostram trajetória — assim, permitem enxergar consistência, ritmo de melhoria e capacidade de resposta a problemas. É por isso que áreas de risco, investidores e auditorias estão sempre atentos à evolução ao longo do tempo.

Principais indicadores Ambientais (E)

Os indicadores ambientais ajudam a empresa a medir como suas operações impactam recursos naturais, energia, emissões e resíduos.

Eles também revelam onde existem riscos regulatórios, ineficiências operacionais e custos que poderiam ser evitados com ajustes de processo ou de tecnologia.

Esse conjunto de métricas costuma ganhar prioridade porque conecta sustentabilidade com temas muito concretos da gestão, como continuidade operacional, exposição a sanções e eficiência no uso de recursos.

Emissão de gases de efeito estufa (GEE)

O indicador de emissão de gases de efeito estufa mostra quanto a empresa contribui para o aquecimento global a partir de suas operações e do uso de energia.

Ele considera fontes como:

  • combustíveis;
  • eletricidade;
  • processos produtivos;
  • em análises mais completas, transporte e fornecedores.

A métrica ganhou relevância porque envolve custo, risco regulatório e reputação ao mesmo tempo.

Monitorar esse número ajuda a identificar desperdícios energéticos, dependência de fontes mais caras e oportunidades de eficiência.

A evolução ao longo do tempo costuma pesar mais do que o valor isolado, já que setores diferentes partem de níveis muito distintos.

Consumo de água e gestão de resíduos

Esse indicador acompanha quanto a empresa consome de água em suas operações e como trata os resíduos que gera ao longo dos processos.

Ele inclui desde uso em produção e limpeza até descarte, reaproveitamento e reciclagem de materiais.

A métrica importa porque água e resíduos afetam custo, continuidade operacional e risco regulatório ao mesmo tempo. Um consumo elevado ou um descarte mal gerido costuma sinalizar ineficiência e exposição a sanções.

Quando monitorado de forma consistente, o indicador ajuda a identificar desperdícios, rever processos e priorizar investimentos em tecnologias ou práticas que reduzam impacto ambiental e pressão sobre recursos naturais.

Uso de fontes de energia renovável

Esse indicador mostra qual parte da energia consumida pela empresa vem de fontes renováveis, como solar, eólica ou hídrica, em comparação com fontes fósseis. Ele ajuda a entender o nível de dependência de matrizes mais poluentes e mais sujeitas a variações de custo e oferta.

Acompanhar essa métrica também revela o grau de preparação da empresa para mudanças regulatórias e pressões de mercado ligadas à transição energética.

Quando a participação de renováveis cresce, normalmente há impacto direto na redução de emissões e maior previsibilidade de custos no médio e longo prazo — mesmo que a mudança exija planejamento e investimento inicial.

Principais indicadores Sociais (S)

Os indicadores sociais observam como a empresa se relaciona com as pessoas que fazem parte do seu ecossistema: colaboradores, parceiros, clientes e comunidade.

Eles ajudam a traduzir temas como diversidade, segurança, clima interno e impacto social em dados que podem ser acompanhados ao longo do tempo.

Esse grupo de métricas costuma revelar riscos menos visíveis no curto prazo, mas que pesam muito em rotatividade, produtividade, reputação e até em continuidade do negócio.

Quando bem utilizados, esses indicadores mostram onde a organização precisa ajustar políticas, processos ou prioridades para manter relações mais estáveis e saudáveis.

Taxa de diversidade e inclusão

Esse indicador mede a representatividade de diferentes grupos dentro da empresa, considerando recortes como:

  • gênero;
  • raça;
  • pessoas com deficiência;
  • outros critérios adotados pela organização.

Ele ajuda a mostrar se as políticas de diversidade realmente se refletem na composição das equipes e nos níveis de liderança. Acompanhar essa taxa também permite identificar gargalos em recrutamento, promoção e retenção.

Quando os números ficam estagnados por muito tempo, costumam sinalizar problemas estruturais nos processos de gestão de pessoas.

Ao evoluir de forma consistente, a métrica indica que a empresa está ampliando seu acesso a talentos e perspectivas diferentes.

Índice de satisfação e segurança dos colaboradores

Esse indicador reúne dados sobre clima interno, engajamento e condições de trabalho, combinando:

  • pesquisas de satisfação;
  • taxas de afastamento; e
  • registros de acidentes ou incidentes.

Ele ajuda a empresa a entender se o ambiente oferecido sustenta produtividade e permanência das pessoas no time. Números persistentemente ruins costumam aparecer antes de problemas maiores, como aumento de rotatividade ou queda de desempenho.

Acompanhar essa métrica também permite avaliar se mudanças em políticas internas, liderança ou processos realmente melhoram o dia a dia de quem trabalha na organização, em vez de ficarem restritas ao papel ou ao discurso.

Investimento em projetos de impacto na comunidade

Esse indicador acompanha quanto a empresa direciona de recursos, tempo ou parcerias para iniciativas que geram benefícios sociais fora dos seus muros.

Ele pode incluir apoio a educação, cultura, capacitação profissional ou desenvolvimento local, dependendo do contexto em que a organização atua.

A métrica ajuda a diferenciar ações pontuais de uma atuação mais estruturada e contínua junto à comunidade.

Quando analisado ao longo do tempo, também mostra se esses investimentos fazem parte da estratégia ou se variam conforme conveniências momentâneas. Para quem avalia ESG, a consistência costuma pesar mais do que o valor isolado aplicado em um único período.

Principais indicadores de Governança (G)

Os indicadores de governança observam como a empresa organiza poder, decisões e controles internos. Eles ajudam a entender se existem regras claras, mecanismos de fiscalização e processos que reduzem riscos de fraude, conflitos de interesse ou decisões desalinhadas com a estratégia.

Esse conjunto de métricas costuma ganhar atenção especial de investidores e áreas de compliance porque aponta o nível de previsibilidade e de confiança na gestão.

Uma governança frágil pode anular bons resultados ambientais ou sociais. Por isso, esses indicadores funcionam como base para avaliar a solidez institucional da organização.

Transparência na remuneração de executivos

Esse indicador avalia o grau de clareza com que a empresa divulga critérios, valores e estrutura de remuneração da alta liderança. Ele mostra se bônus, incentivos e metas estão alinhados com desempenho, resultados de longo prazo e princípios de governança.

A falta de transparência nessa área costuma gerar desconfiança, ruído interno e questionamentos de investidores.

Quando os critérios ficam claros, a empresa reduz risco de decisões oportunistas e melhora a percepção de equidade.

Ao longo do tempo, acompanhar essa métrica ajuda a verificar se a política de remuneração sustenta comportamentos consistentes com a estratégia e com os compromissos assumidos publicamente.

Políticas de combate à corrupção e suborno

Esse indicador observa se a empresa tem regras formais, treinamentos e mecanismos de controle voltados à prevenção de práticas ilegais ou antiéticas, e inclui:

  • códigos de conduta;
  • canais de denúncia;
  • auditorias;
  • processos disciplinares.

A métrica importa porque casos de corrupção costumam gerar impactos financeiros, jurídicos e reputacionais difíceis de reverter.

Acompanhar esse indicador ao longo do tempo permite avaliar se as políticas saem do papel e se realmente reduzem ocorrências e riscos. Organizações com números consistentes nessa frente tendem a inspirar mais confiança em parceiros, clientes e investidores.

Processos de due diligence para clientes e fornecedores

Esse indicador mede o nível de rigor com que a empresa avalia riscos antes de fechar contratos ou manter relações comerciais. Ele envolve:

  • análise de integridade;
  • histórico jurídico;
  • conformidade regulatória; e
  • reputação de clientes e fornecedores.

A métrica ganhou importância porque muitos riscos de imagem e de sanções legais não nascem dentro da própria organização, mas na sua cadeia de relacionamentos.

Quando bem acompanhado, esse indicador ajuda a evitar vínculos problemáticos e a proteger a empresa de exposições indiretas. Ao longo do tempo, ele também mostra se os critérios de entrada e permanência de parceiros seguem padrões consistentes.

Quando os indicadores ESG entram na rotina de gestão, eles deixam claro onde a empresa realmente está. É esse tipo de análise que começa a separar discurso de execução no mercado.

Para seguir nessa linha e entender como esse raciocínio se traduz em decisões financeiras e estratégicas, confira também o artigo Práticas ESG no mercado financeiro: como aplicar? e continue aprendendo.

Em resumo

Quais são os indicadores de ESG?

Os indicadores de ESG medem desempenho ambiental, social e de governança. Eles acompanham emissões, uso de recursos, diversidade, segurança, ética e controles, e ajudam a avaliar riscos, evolução e consistência da empresa nas decisões.

Quais são os 7 principais indicadores de qualidade?

Os principais indicadores de qualidade incluem retrabalho, defeitos, conformidade, satisfação do cliente, tempo de ciclo, custo da não qualidade e produtividade. Ajudam a avaliar eficiência, estabilidade e confiabilidade dos processos internos.

Quais são os 3 tipos de indicadores?

Os três tipos mais usados são indicadores estratégicos, táticos e operacionais. Eles servem para acompanhar metas de longo prazo, desempenho das áreas e execução do dia a dia, mantendo alinhamento entre decisão, gestão e operação da empresa.

créditos da imagem: Freepik

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